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Wave Hill – Um jardim deslumbrante em plena Manhattan

Viajar pela 3ª vez para o mesmo lugar ( que você ama ) é um sonho. A melhor parte é que você vai aprendendo cada vez mais a aproveitar melhor a cidade, além de poder conhecer pontos turísticos e museus que uma pessoa que vai pela primeira vez não vai ter tempo, e pode repetir alguns dos seus programas favoritos. Foi assim que eu conheci o Wave Hill.

Fiquei impressionada pela beleza do lugar através das fotos, me lembrou um pouco o parque Fort Tryon Park onde fica o The Cloisters ( você pode conferir minha visita aqui! EM BREVE), é como um universo paralelo dentro de Manhattan. Não é possível ver os grandes prédios tão característicos da cidade por perto é tudo muito calmo e silencioso.

estação de metro da 242st
estação de metro da 242st

Para ir é preciso um pouco de planejamento já que o jardim fica lá na 249st, esse foi um novo recorde para mim em Manhattan, até então o mais longe que tinha ido era a 190st para o The Cloister. Saí do Brooklyn para a 242st, levou um pouquinho mais de uma hora, em termos de deslocamento de atrações em Nova York é um tempo considerável. Para chegar no Wave Hill, é preciso descer na estação da 242st, (detalhe esse é o fim da linha vermelha!) assim que sair da estação você segue para frente de um Burger King na Broadway ( sim a Broadway vai até ali e além ), ali pode esperar no meio fio do jardim ( assim como eu ) pela van do Wave Hill. Como o jardim é meio longe eles disponibilizam uma van que faz o percurso do metro até o Wave Hill e o inverso de hora em hora, para usar a van não tem custo adicional nenhum.

Bruger King onde você pega a van para Wave Hill e a van
Burger King onde você pega a van para Wave Hill e a van

No caminho para Wave Hill você passa por vários casarões, é impressionante, cada uma maior do que a outra, tentei registrar mas com o carro em movimento não ficou lá muito bom.

mansões no caminho para Wave Hill
tentando capturar as casas

Ao chegar fui carinhosamente recebida pela Martha, que além de me proporcionar essa visita, fez questão de me mostrar as principais áreas do jardim ( Obrigada Martha =) ). Depois de alugar a Martha para conhecer o jardim e sua história por quase uma hora, fui desbravar por conta própria os cantinhos da casa.

entrada Wave Hill
entrada Wave Hill

Wave Hill é um jardim público construído inicialmente como uma casa de campo que atualmente ocupa uma área de 28 hectares. Apesar de hoje em dia se chamar Wave Hill, o jardim foi criado por algumas propriedades adquiridas por George Walbridge Perkins. Em 1895 ele adquiriu a casa Glyndor, para sua família. Em 1903, comprou Wave Hill, pois estava juntando terras para criar uma grande propriedade próxima ao Rio Hudson, o jardim que conhecemos hoje.

as cores do outono no estacionamento e na bilheteria de Wave Hill
as cores do outono no estacionamento e na bilheteria de Wave Hill

 

Wave Hill House

A casa principal de Wave Hill, em pedra com as janelas e portas brancas, hoje em dia é o centro do jardim, lá é possível assistir a concertos, eles têm uma ampla grade de eventos para os visitantes, como workshops, programas educativos e eventos voltados para as famílias que frequentam o local.

Wave Hill House
Wave Hill House

A casa foi feita em duas etapas, a parte principal foi construída em 1843 com seu primeiro dono William Lewis Morris, 20 anos depois, o novo dono, William Henry Appleton transformou a casa em uma Vila Vitoriana, adicionando o terceiro andar, um telhado francês ou telhado Mansard ( é esse cucuruto mais escuro da casa) e um pequeno conservatório.

A casa ainda foi emprestada para a família de Theodore Roosevelt entre 1970-71, e de 1901 até 1903, Mark Twain e sua família moraram ali. Em 1903 Perkins comprou Wave Hill.

detalhes da casa Wave Hill
detalhes da casa Wave Hill

Uma das maiores mudanças na casa de Wave Hill foi a construção de uma ala em estilo gótico. Quem alugava a casa na época era Bashford Dean, o primeiro curador do Arms e Armor do MET ( Metropolitan Museum of Art) ele convenceu o dono, Perkins a fazer essa pequena reforma. Essa ala ( que não deu para entrar porque estava com um evento ) até hoje mantém seu estilo medieval, inclusive os lustres. Dean guardava parte da sua coleção de armaduras e armas nessa ala, hoje em dia essa coleção pode ser visitada no MET, eu particularmente adoro, um dos meus lugares favoritos no MET, certeza!

Para completar o ambiente da casa, uma varanda ( Kate French Terrace ) abriga inúmeras mesas para apreciarmos parte do jardim enquanto comemos alguma das delícias oferecidas na cafeteria. Eu aproveitei para sentar um pouco para descansar, afinal era o último dia de viagem, comer um croissant e curtir a vista com as folhas de outono caindo. Lindo de mais!

vista da varanda, impossível não admirar as cores de outono
vista da varanda, impossível não admirar as cores de outono

Glyndor House

Comprada em 1895 por Perkins para sua família, ela se chamava Nonesuch (acho tão fofinho as casas terem nome). Nas mão de seu novo dono sofreu diversas reformas para ser ampliada e remodelada, recebendo assim quartos de hóspedes e um salão de baile, com as obras finalizadas, a casa foi rebatizada como Glyndor (uma mistura das letras dos nomes da sua família).

Glyndor House
Glyndor House

Atualmente a casa Glyndor é uma galeria de arte. Eu peguei a exposição da Jackie Brookner – Of Nature
Uma retrospectiva da artista que faleceu em 2015. Seu trabalho era voltado para problemas ambientais.

parte interna da Glyndor House com a exposição Of Nature
parte interna da Glyndor House com a exposição Of Nature

Com ajuda do arquiteto, Robert M. Brers, Perkins que era apaixonado em planejar os arredores da propriedade, pensando em valorizar as incríveis vistas da casa, construiu piscinas, terraços e espaços recreativos ( hoje o prédio ecológico ). Com a proposta de unificar as 3 propriedade compradas, Perkins contratou o paisagista Albert Millard para redesenhar o jardim e fazer com que toda área parecesse um só jardim.

gazebo e jardim aquático, Martha me contou que a água escura é proposital para evitar do limo se reproduzir
gazebo e jardim aquático, Martha me contou que a água escura é proposital para evitar do limo se reproduzir

Posso dizer sem dúvida que o trabalho foi muito bem feito. A sensação de andar por Wave Hill é como se você estivesse literalmente passeando pelo quintal de casa. Tudo é extremamente aconchegante. Por ser um jardim e não um parque é necessário que os frequentadores tenham em mente que não se pode jogar bola, ou correr pelos gramados. O jardim tem algumas trilhas por onde você pode caminhar e apreciar a vista. Eu particularmente adorei as cores do outono já que por aqui não temos esses tons nas árvores.

jardim selvagem
jardim selvagem com uma vista do Hudson de apaixonar

 

Jardim de ervas e o jardim seco
Jardim de ervas e o jardim seco

O jardim de ervas é super legal pois você é convidado a tocar e cheirar todas as plantas, é simplesmente fabuloso o aroma que você sente ali.

pérgola repleta de cachos de uva
pérgola repleta de cachos de uva

Perkins morreu aos 58 anos em 1920. Em 1960 a família Perkins entregou Wave Hill à cidade de Nova York, em 1965 se tornou uma corporação sem fins lucrativos e hoje é umas das 33 instituições culturais da cidade.

Além das duas casas principais, Wave Hill abriga uma estufa com incontáveis espécies de suculentas, cactos, bromélias e tantas outras. A parte interna da estufa me lembrou muito a sala de aula de herbologia da Madame Sprout no Harry Potter, me pergunto se no meio de tantas plantas não teria uma Mandrágora (aquelas plantinhas que gritam) escondida haha. Grudado na estufa quase como uma ante sala tem o jardim das flores, infelizmente não peguei elas tão belas quanto uma semana antes, mas mesmo assim estavam bonitas.

estufa Marco Polo linda por fora e fascinante por dentro
estufa Marco Polo linda por fora e fascinante por dentro

 

jardim das flores | " tudo se pode aprender entre as flores, sobre tudo aquelas em botão" - Alice
jardim das flores | ” tudo se pode aprender entre as flores, sobre tudo aquelas em botão” – Alice

Claro que eu não poderia deixar de falar da lojinha, afinal é um vício meu frequentá-las. A loja faz parte do centro de visitantes. Lá é possível encontrar presentes dos mais variados tipos, principalmente artesanato de artistas locais, para quem pode, a quantidade de vasos com plantinhas é para enlouquecer. Eu me controlei e só levei 2 brochuras sobre as árvores do jardim.

fachada e interior do centro de visitantes
fachada e interior do centro de visitantes

Todo o jardim tem uma infra estrutura muito legal, não tem um lugar que não tenha um, banheiro ou uma pessoa para te dar um informação. É meio longe? É. Mas valeu cada minuto, é lindo de mais, além de super aconchegante.

Dica do Fora da Toca

Informações Importantes – Wave Hill

Ingresso
$8 Adultos
$4 Estudantes e idosos 65+
$2 Crianças 6+
Gratuito para membros e crianças até 6 anos

Entrada gratuita
Terça | 9h-12h
Sábados | 9h-12h

Horário
Terça à Domingo | 9h – 16h30
o horário de visita pode variar durante a primavera, o jardim fica 1h a mais aberto, confira sempre no site oficial os horários.

Endereço
West 249th Street and Independence Avenue (Portão da frente)
675 West 252nd Street (correspondência)
Bronx, NY 10471-2899

Site Oficial Wave Hill

– Gostaria de agradecer a Martha Gellens do Wave Hill pela gentileza de me receber  ( e me esperar já que errei o timing para chegar no horário combinado) e proporcionar esse passeio tão especial –

 

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