fora-da-toca_tour-predios-antigos-copacabana_CAPA

Tour Casas e Prédios antigos de Copacabana

Não fiz arquitetura, fiz design, ainda assim construções e seus traços marcantes de época me fascinam. Minha prima, ela sim arquiteta, diz que no final das contas design e arquitetura estão interligados. Nessa pegada, arrastei minha mãe (também designer)  para um tour por prédios antigos de Copacabana, que tinha visto algumas vezes no facebook, e uma amiga blogueira tinha comentado uma vez. Assim às 10h da manhã nos encontramos com o guia na saída A do metrô da Cardeal Arco Verde. 15 justos minutos de tolerância para os atrasadinhos, e partiu caminhar por Copacabana.

mais ou menos o caminho que fizemos
mais ou menos o caminho que fizemos | imagem original google maps

O grupo era pequeno o que facilitou bastante as explicações do guia. O passeio começa pela rua de um quarteirão. No prédio Amazonasz. O dono do prédio ao falecer o doou para arquidiocese de São Paulo, e proibiu a venda dos imóveis, assim o dinheiro iria direto para a igreja. Sendo assim, até hoje é um prédio só de inquilinos. O hall do prédio abriga 2 quadros do construtor e de sua esposa além de luminárias para lá de exóticas que lembram navios. Se são originais ou não, há quem diga que não, há quem diga que sim. As pessoas da época do decó aqui no Brasil pelo menos tinham uma certa tara com temas de navio, vai ficar mais claro durante o resto do passeio.

prédio Amazonas
prédio Amazonas

Nesse prédio tivemos a oportunidade de entrar em um apartamento vazio, e descobrir o quão gigantesco é, além de ter uma varanda e permitir uma vista simpática da praia. Os detalhes mais lindos do prédio ficam na área comum dos halls e escadas, onde podemos ver vários detalhes originais como o botão do elevador com pedras adornando, ou o hall de entrada onde saindo do elevador o número dos andares está identificado no chão em mosaico de pastilinhas.

hall de entrada do edifício Amazonas
hall de entrada do edifício Amazonas
detalhes do Prédio Amazonas
detalhes do Prédio Amazonas
um dos apartamentos do Amazonas
um dos apartamentos do Amazonas

O prédio seguinte da visita fica ao lado e se chama Brasil, conforme Rafael nosso guia contou, prédios construídos na época do Estado Novo queriam valorizar e retratar coisas bem brasileiras, fossem com nomes cores ou estampas. Nesse caso a homenagem ficou mais no nome. Todo o estilo do hall é muito art déco, e sua característica mais curiosa é o fato do arquiteto ter deixado registrado que nenhum móvel jamais poderia ocupar o hall. Nenhum, nem a mesa do porteiro que é mais recuada em uma pequena sala pode roubar poucos metros quadrados do hall.

detalhes do hall de entrada do prédio Brasil
detalhes do hall de entrada do prédio Brasil
mais detalhes do hall de entrada do prédio Brasil
mais detalhes do hall de entrada do prédio Brasil

Seguimos a caminhada pela orla, passando pelo icônico Copacabana Palace, famoso por hospedar grandes celebridades. Inaugurado em 1923, o hotel possui fundações de 14m. O Copa, para os íntimos, sofreu algumas reformas, como o acréscimo da piscina em 34, e a ampliação de suas estruturas em  49 com a construção do anexo, do restaurante Pérgola e do acréscimo de 2 andares no prédio principal.

Copacabana Palace e todo seu glamour
Copacabana Palace e todo seu glamour

O hotel também guarda uma história de filme, em 1928 o então presidente Washington Luís foi baleado no hotel por sua amante, uma pomposa marquesa italiana, 4 dias depois ( coincidência ou não ) Elvira Vishi Maurich foi encontrada morta em um dos quartos do hotel. Chocantemente já cogitaram derrubar o Copa, mas ainda bem, ele se tornou patrimônio histórico e foi tombado.

detalhes do hall de entrada do edifício ribeiro Moreira
detalhes do hall de entrada do edifício Ribeiro Moreira

O prédio seguinte que visitamos, o Ribeiro Moreira (1928), foi construído com o propósito de ser um hotel concorrente do Copacabana Palace, coitado…nem se quisesse muito teria conseguido.  Ideia essa que nunca saiu do papel, o prédio apesar de ter sido construído para ser um hotel nunca o foi.Mas foi o primeiro arranha céu de Copacabana. Ele é todo adornado com detalhes decó por todos os lados até no chão do hall o prédio, numa técnica esperta ou mera coincidência a entrada do prédio não é na Atlântica, mas sim na rua transversal, ou seja, o IPTU não é o da praia… 

edifício Petronio e toda sua vontade de ser um navio
edifício Petronio e toda sua vontade de ser um navio

Descendo a rua em direção à Nossa Senhora passamos pela “predificação” de um navio ( sim, inventei a palavra, paciência) o edifício Petronio, de 1936. Além do hall lembrar um navio de todas as formas possíveis. Com sua coluna abaulada central e as cores escolhidas, o hall é todo trabalhado num mármore pra lá de diferente, a cor não é comum, e a origem menos ainda, as frias terras da Sibéria. O curioso desse mármore são os vários fósseis que você pode encontrar por lá.

fósseis para todos os lados
fósseis para todos os lados

Seguimos o passeio para 2 prédios que grifam e reiteram o orgulho do Brasil. O prédio ITAOCA ou casa de pedra em Tupi, de 1928. O primeiro item que chama atenção é a marquise projetada que na época que foi feita causou grande alvoroço que não aguentaria muito tempo e logo desabaria. Bom… tá aí até hoje firme e forte. Diriam os supersticiosos que pode ser por conta de todos os “muiraquitãs”, amuletos índios entalhados em pedra que adornam diversas partes do prédio, como o portal da entrada, a fachada e até o chão com desenhos em mosaicos. O portal é feito em majólica (pintada de verde) .

fachada do edifício Itaoca
fachada do edifício Itaoca

Como mal não faz, escolhi o muiraquitã mais alto que tinha no portal e passei a mão para boa sorte. Todo o detalhe do hall do prédio de mosaico é em verde e amarelo, tem como ser mais Brasil? A parte curiosa do prédio é a área de serviço, que é uma área comum para todos os moradores de cada andar. Imagina a confusão que isso não deveria dar.

hall e detalhes do edifício Itaoca
hall e detalhes do edifício Itaoca

A pérola do passeio, na minha opinião, é passagem e entrada no prédio Itahy. Encaro a exótica sereia da fachada desde que me lembro, e vivia me perguntando como deveria ser por dentro. Todo trabalhado na temática marinha, o Itahy surpreende com o mosaico super  atual do piso imitando ondas, tema espalhado por toda parte, nas grades da porta, na escada, e nos halls dos apartamentos.

porta e detalhes da escada do hall com estilizações de ondas
porta e detalhes da escada do hall com estilizações de ondas

Fiquei impressionada como a escada é apertada, e a entrada para os apartamentos também, fico pensando como deve ser para entrar com móveis, espero que o a área de serviço seja mais espaçosa. O curioso da escada é que o “poste” que ilumina os andares é um ferro que vai de cima a baixo da escada toda.

detalhes do primeiro andar e do piso do hall
detalhes do primeiro andar e do piso do hall

Como bônus ainda passamos por alguns prédios na Ronald de Carvalho. Um dos mais lindos foi o Orania que nem estava no planejamento mas acabou que o porteiro conhecendo o Rafael deixou a gente entrar. Por fora parece um prédio sombrio, mas por dentro do hall os vitrais ganham vida, são um verdadeiro deslumbre. O piso perfeito e brilhante em preto e branco chama atenção.

hall do edifício Orani
hall do edifício Orania
diferença dos vitrais por fora e por dentro | eu e mamãe em mais um tour
diferença dos vitrais por fora e por dentro | eu e mamãe em mais um tour

A última parada foi do lado de fora do edifício Ghuahy, que chama atenção por alguns fatores, o primeiro sua cor devido ao revestimento em pó de pedra, o segundo toda sua arquitetura super geométrica cheia de chanfros e camadas, a entrada do prédio remete a um cocar de índio. Esse prédio divide opiniões, mas não deixa de ser mais uma pérola do art decó de Copacabana.

edifício Guarhy e seu cocar de pedra
edifício Ghuay e seu cocar de pedra

O passeio é uma caminhada bem leve, mas ainda assim tem alguns sobes e desces de escadas nos prédios em seus halls. Não é cansativo, mas para pessoas mais idosas e com dificuldade de locomoção pode acabar dando uma cansada ainda mais dependendo do sol Carioca. A verdade é que depois do passeio dá mais vontade de conhecer as histórias dos prédios da cidade.

 

Dicas fora da toca

Levar uma garrafa de água, passe filtro e opte por um sapato confortável

Informações importantes – Tour casas e prédios antigos

Tempo de visita
por volta de 2h30

Valor
R$ 35 por pessoa

Compartilhe nas redes sociais!

Deixe seu comentário ou dúvida